Além de professora, sou mãe e leitora. Considero literatura infantil algo apaixonante, principalmente por que me remete a minha infância. Passava horas e horas em meu quarto (e ao mesmo tempo em outro mundo) acompanhada de um livro. Eram momentos de profunda introspecção, invariavelmente interrompidos, pela insistente reclamação de minha irmã para que eu apagasse a luz e fosse dormir.
Listo abaixo 10 livros infanto-juvenil que, em minha opinião, toda criança e, sobretudo, todo adulto deveria ler.
Se em um momento Gulliver está entre homens minúsculos da ilha de Liliput e é considerado um gigante, em outro, ele se torna minúsculo se comparado aos habitantes do país dos gigantes. Apesar de parecer infantil, Gulliver - na verdade- foi uma refinada sátira a Inglaterra do século XVIII. Ainda hoje é possível refletir algumas mensagens contidas no livro sobre o quão ridículo o ser humano é ás vezes.
Obs.: Achei pavorosa a última versão cinematográfica feita sobre o livro. Eu já não ia muito com cara do Jack Black, mas agora interpretando um Gulliver contemporâneo, sinceramente...É de doer!
9- Eu vi nascer o Brasil – Renato Pacheco
Este pequeno livro foi escrito pelo autor capixaba Renato Pacheco. De maneira lúdica conta os primeiros anos da colonização do Espírito Santo. O interessante é que é narrado em primeira pessoa pelo próprio Dom Vasco Fernandes Coutinho, primeiro capitão donatário da Capitania do Espírito Santo.
Esse livro não entrou na lista apenas com o objetivo de valorizar a história do Espírito Santo (tantas vezes esquecida tanto nos livros didáticos quanto nas aulas de história). Renato Pacheco é um mestre e o livro é realmente muito bom! Indico a todos os meus alunos.
8 – Robinson Crusoé – Daniel Defoe
Robinson Crusoé naufraga em uma ilha deserta e fica lá por 25 anos absolutamente só, até encontrar o nativo Sexta-feira. Na ilha, ele tem que (re)aprender a viver, conseguir comida, abrigo, confeccionar utensílios e ferramentas. É muito angustiante, em minha opinião, sentir a solidão de Crusoé. Mas o interessante é observar os laços que ele ainda mantém (ou tenta manter) com a civilização. Em um dos trechos ele diz que, apesar de tantos anos vivendo só, não consegue andar nu. Menos pelo sol que castiga a pele do que pela moralidade inglesa que ainda carrega com ele
Este é outro livro muito famoso no Brasil em sua versão infanto-juvenil. No entanto, é um livro para adultos.
Obs.: A história de Crusoé foi inspirada em um marinheiro chamado Alexander Selkirk. Só que Selkirk ficou “apenas” 4 anos em uma ilha e foi para lá por vontade própria. Leia aqui aqui uma matéria bem legal sobre a vida dele
7 – O menino no espelho – Fernando Sabino
O livro conta as histórias do menino Fernando ( e também de Odnanref, o menino do espelho) na década de 1920 em Belo Horizonte. O mais gostoso (além de um texto muitíssimo bem escrito e agradável) é que são histórias reais da infância de Fernando Sabino, mas com um toque de fantasia. Ele conta aos leitores fatos inverossímeis (como a aprendeu a voar como os pássaros, como ensinou uma galinha a falar )
como se realmente tivessem ocorrido.
6 - Alice no país das maravilhas - Lewis Carroll
“Beba-me”.
A sensação de estar perdido e de não ser compreendido é comum a todo adolescente. Em Alice, elas são exploradas ao extremo. O clima nonsense e fantástico do livro te faz, literalmente, viajar. Mas é uma loucura que faz sentido. Como o autor era professor de matemática, no livro existem várias charadas e problemas de lógica ocultos. O que eu mais gosto é quando ela muda de tamanho ao comer o bolo e beber o líquido da garrafinha. Além disso, há personagens inesquecíveis como o Chapaleiro Maluco e o coelho branco.
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| A menina Evelyn Hatch, fotografada por Lewis Caroll |
Existem alguns indícios de que Carroll (cujo verdadeiro nome era Charles Lutwidge Dodgson) tivesse um comportamento um tanto estranho. De fato, ele nunca se casou e possuia uma verdadeira obsessão por crianças, ou melhos por meninas. Adulto ele dizia ter várias amiguinhas. A menina Alice, inspiradora do livro, era filha de um casal de conhecidos e uma de suas melhores amigas. Ele também adorava fotografar meninas nuas, mas sempre com a autorização das mães. Hoje, provavelmente seria acusado de pedofilia pelo Magno Malta ou seria frequentador do rancho do Michael Jackson, NeverLand.
5-Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach
Bach era aviador e escrever sobre a “arte” de voar era algo natural para ele. Neste livro, acompanhamos a trajetória da gaivota Fernão que um dia cogita a possibilidade de existir algo além de voar e se alimentar dos peixes nos navios pesqueiros. E com isso é taxado de louco pelas outras gaivotas, uma vergonha para sua família e passa a ser excluído do convívio com os outros de sua espécie. Mas ele não se importa e continua sua busca, onde descobre que o mundo é muito maior do que imaginava.
4 - O mundo de Sofia – Jostein Gaarder

Este livro eu li depois de adulta. Conta a história da filosofia através das correspondencias de um desconhecido a menina Sofia Amundsen. Paralelamente, temos ainda a história de outra menina, Hilde, que posteriormente se cruza com a de Sofia de maneira surpreendente. A realidade nem sempre é oque parece ser.
Obs.: Não posso negar que batizei minha filha com o nome de Sofia, em parte, devido a esse livro. "A menina dos cabelos lisos."
3 –A ilha misteriosa – Júlio Verne
Nossa medalha de bronze vai para o senhor Júlio Verne.
Outro livro sobre ilha (está muito Lost essa lista, mas foi inevitável !). Dessa vez, um grupo de abolicionistas fugindo durante a guerra civil americana, cai de um balão em uma misteriosa ilha vulcânica do pacífico. Eles a batizam de ilha Lincoln (em homenagem a Abraham Lincoln). O incrível é que eles conseguem construir uma verdadeira cidade assim, “do nada”, sem nenhum equipamento, graças a inventividade do engenheiro Ciro Smith (o cara é realmente f**, até pólvora eles conseguem). Além disso, coisas estranhas e maravilhosas acontecem na ilha graças a uma presença misteriosa que eles descobrem no final do livro, o Capitão Nemo, (do outro clássico de Verne 20.000 léguas submarina), já idoso habita o interior da ilha e ajuda os nossos aventureiros sempre que pode.
Eu citei Lost acima e as semelhanças não são coincidências. A ilha misteriosa é uma referência nítida em no seriado americano. Aliás, todos os livros de Verne, que escreve nas margens do possível, em uma linha tênue entre ficção e realidade é sempre referência nas obras scyfy.
3- O dia do curinga - Jostein Gaarder
"Você já pensou que num baralho existem muitas cartas de copas e de ouros, outras tantas de espadas e de paus, mas que existe apenas um curinga?”
O segundo lugar de nossa lista é um livro pessoalemnte importante.
Não tão conhecido quanto “O mundo de Sofia”, mas igualmente fascinente. Narra a jornada do garoto Hans-Thomas e seu pai pela Europa, quando um minúsculo livrinho leva Hans a um mundo mágico e enigmático. É a junção de realismo fantástico, com drama familiar. Quando era adolescente este livro foi muito importante para mim. Eu o inteiro em uma cadeira de hospital, acompanhando meu avô, que estava internado.
1- Manu: A menina que sabia ouvir –Michael Ende
E em primeríssimo lugar: a minha doce Manu!
Este livro é uma obra-prima. Quando o li pela primeira vez era bem menina. Peguei emprestado na biblioteca da escola. Devia ter uns 8 ou 9 anos. Quando estava na faculdade, encontrei uma versão bem antiga a venda em um sebo por R$ 1,00. Meus olhos brilharam de felicidade!
| O meu exemplar tem essa capa |
Creio que poucos o conhecem. O autor é mais conhecido por “História sem fim”, que depois virou uma série de filmes. Manu é uma orfã que vive em um "quartinho" improvisado em um antigo anfiteatro de uma grande cidade. Mas sua vida não triste. Pelo contrário, Manu tem muitos amigos na vizinhança do lugar, entre adultos e crianças. Todos gostam e cuidam dela com amor e fazem muitas coisas boas para ela. Mas na verdade é Manu quem ajuda a todos, ela não faz nada demais, apenas tem o dom de ouvir as pessoas. Todos gostam de gastar seu tempo conversando com Manu. Mas um dia, um estranho grupo de homens-cinzentos passam a rondar os amigos de menina e todas da pessoas da cidade roubando-lhes um de seus bens mais preciosos; o tempo. Ninguém mais parece ser feliz.Todos parecem trabalhar demais e não aproveitam as coisas boas da vida. Até mesmo as crianças, que agora são trancafiadas em instituições próprias.
Só Manu não é atingida. E com ajuda do Senhor do tempo e da tartaruga Cassiopéia começa a batalha de Manu contra os homens cinzentos ladrões do tempo. Michael Ende foi acusado em seu país de produzir uma literatura escapista para os jovens. Entretanto, considero Manu uma metáfora perfeita desse mundo consumista em que vivemos. Nesse mundo louco, em que time is money.
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